A LEITURA ENGRANDECE A ALMA

"A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede." (Carlos Drummond de Andrade)
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quarta-feira, 7 de março de 2012

A uma Mulher

Pra vós são estes versos, para consoladora 
Graça dos olhos onde chora e ri um sonho 
Doce, pla vossa alma pura e sempre boa, 
Versos do fundo desta aflição opressora. 

Porque, ai! o pesadelo hediondo que me assombra 
Não dá tréguas e, louco, furioso, ciumento, 
Multiplica-se como um cortejo de lobos 
E enforca-se com o meu destino que ensanguenta! 

Ah! sofro horrivelmente, ao ponto de o gemido 
Desse primeiro homem expulso do Paraíso 
Não passar de uma écloga à vista do meu! 

E os cuidados que vós podeis ter são apenas 
Andorinhas voando à tarde pelo céu 
— Querida — num belo dia de um Setembro ameno. 

Paul Verlaine, in "Melancolia" 
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Sabedoria I, III

Que dizes, viajante, de estações, países? 
Colheste ao menos tédio, já que está maduro, 
Tu, que vejo a fumar charutos infelizes, 
Projetando uma sombra absurda contra o muro? 

Também o olhar está morto desde as aventuras, 
Tens sempre a mesma cara e teu luto é igual: 
Como através dos mastros se vislumbra a lua, 
Como o antigo mar sob o mais jovem sol, 

Ou como um cemitério de túmulos recentes. 
Mas fala-nos, vá lá, de histórias pressentidas, 
Dessas desilusões choradas plas correntes, 
Dos nojos como insípidos recém-nascidos. 

Fala da luz de gás, das mulheres, do infinito 
Horror do mal, do feio em todos os caminhos 
E fala-nos do Amor e também da Política 
Com o sangue desonrado em mãos sujas de tinta. 

E sobretudo não te esqueças de ti mesmo, 
Arrastando a fraqueza e a simplicidade 
Em lugares onde há lutas e amores, a esmo, 
De maneira tão triste e louca, na verdade! 

Foi já bem castigada essa inocência grave? 
Que achas? É duro o homem; e a mulher? E os choros, 
Quem os bebeu? E que alma capaz de os contar 
Consola isso a que podes chamar tuas dores? 

Ah, os outros, ah, tu! Crendo em vãos lisonjeios, 
Tu que sonhavas (e era também demasiado) 
Com uma qualquer morte suave e ligeira! 
Ah, tu, que espécie de anjo sempre amedrontado! 

Mas que intenções, que planos? Terás energia 
Ou o choro destemperou esse teu coração? 
A julgar pela casca, é uma árvore macia 
E os teus ares não parecem de vencedor, não. 

Tão desastrado ainda! e com a agravante inútil 
De seres cada vez mais um sonolento idílico 
A fitar pla janela o céu sempre tão estúpido 
Sob o astuto olhar do diabo do meio-dia. 

Sempre o mesmo na tua extrema decadência! 
Ah! — Mas no teu lugar, e assumindo as culpas, 
Um ser sensato quer impor outra cadência 
Com o risco de alarmar um pouco os transeuntes. 

Não terás, vasculhando os recantos da alma, 
Um vício pra mostrar, qual sabre à luz do dia, 
Algum vício risonho, descarado, que arda 
E vibre, dardejante, sob o céu carmim? 

Um ou mais? Se os tiveres, será melhor! E parte 
Prà guerra e briga a torto e a direito, sem 
Escolher ninguém e enverga a indolente máscara 
Do ódio insaciado, mas farto também... 

Não devemos ser tansos neste alegre mundo 
Onde a felicidade não é saborosa 
Se nela não vibrar algo perverso, imundo, 
E quem não quer ser tanso tem de ser maldoso. 

— Sabedoria humana, eu ligo a outras coisas 
E, de entre esse passado de que descrevias 
O tédio, em conselhos ainda mais penosos, 
Só consigo lembrar-me, hoje, do mal que fiz. 

Em todos os estranhos passos desta vida, 
Dos lugares e dos tempos, ou também dos meus 
«Azares», de mim, dos outros, da estrada seguida, 
Sempre retive apenas a graça de Deus. 

Se me sinto punido, é porque o devo ser. 
O homem e a mulher não estão aqui em vão. 
Mas espero que um dia possa conhecer 
O perdão e a paz que aguardam os cristãos. 

É bom não sermos tansos neste mundo efémero, 
Mas pra que o não sejamos na eternidade, 
O que é mais necessário que reine e governe 
Nunca é a maldade, mas sim a bondade. 

Paul Verlaine, in "Sabedoria" 
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Voto

Ah! primeiras amantes! oaristos!, dourados 
Cabelos, o azul dos olhos, carne em flor 
De corpos juvenis, e entre o seu odor 
As carícias a medo e com espontaneidade! 

Ficaram já distantes essas alegrias 
E todas as canduras! Rumo à Primavera 
Dos remorsos fugiram aos negros Invernos 
Das minhas dores, dos meus cansaços e agonias! 

E eis-me aqui, agora, só e abatido, 
Desesperado e mais frio que os avós mais antigos, 
Tão pobre como um órfão sem irmã crescida. 

Ó mulher de amor meigo e tão reconfortante, 
Suave e pensativa, que nunca se espanta 
E nos beija na testa, como uma criança! 

Paul Verlaine, in "Melancolia" 
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

O Amor no Chão

O vento da outra noite derrubou o Amor 
Que, no mais misterioso recanto do parque, 
Nos sorria, ao esticar malignamente o arco, 
E cujo ar nos fez meditar com fervor! 

O vento da outra noite derrubou-o! O mármore 
com o sopro da manhã, disperso, gira. É triste 
Olhar o pedestal, onde o nome do artista 
Se lê com muito esforço à sombra de uma árvore, 

É triste ver em pé, sozinho, o pedestal! 
Melancólicos vêm e vão pensamentos 
No meu sonho, onde o mais profundo sofrimento 
Evoca um solitário futuro fatal. 

É triste! — E mesmo tu, não é? ficas tocada 
Plo cenário dolente, embora te divirtas 
Com a borboleta rubra e de oiro, que se agita 
Sobre a alameda, além, de destroços juncada. 

Paul Verlaine, in "Festas Galantes" 
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

A Angústia

Nada em ti me comove, Natureza, nem
Faustos das madrugadas, nem campos fecundos,
Nem pastorais do Sul, com o seu eco tão rubro,
A solene dolência dos poentes, além.

Eu rio-me da Arte, do Homem, das canções,
Da poesia, dos templos e das espirais
Lançadas para o céu vazio plas catedrais.
Vejo com os mesmos olhos os maus e os bons.

Não creio em Deus, abjuro e renego qualquer
Pensamento, e nem posso ouvir sequer falar
Dessa velha ironia a que chamam Amor.

Já farta de existir, com medo de morrer,
Como um brigue perdido entre as ondas do mar,
A minha alma persegue um naufrágio maior.

Paul Verlaine, in "Melancolia"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

O Meu Sonho Habitual

Tenho às vezes um sonho estranho e penetrante
Com uma desconhecida, que amo e que me ama
E que, de cada vez, nunca é bem a mesma
Nem é bem qualquer outra, e me ama e compreende.

Porque me entende, e o meu coração, transparente
Só pra ela, ah!, deixa de ser um problema
Só pra ela, e os suores da minha testa pálida,
Só ela, quando chora, sabe refrescá-los.

Será morena, loira ou ruiva? — Ainda ignoro.
O seu nome? Recordo que é suave e sonoro
Como esses dos amantes que a vida exilou.

O olhar é semelhante ao olhar das estátuas
E quanto à voz, distante e calma e grave, guarda
Inflexões de outras vozes que o tempo calou.

Paul Verlaine, in "Melancolia"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Lassidão

Ah, por favor, doçura, doçura, doçura!
Acalma esses arroubos febris, minha bela.
Mesmo em grandes folguedos, a amante só deve
Mostrar o abandono calmo da irmã pura.

Sê lânguida, adormece-me com os teus afagos,
Iguais aos teus suspiros e ao olhar que embala.
O abraço do ciúme, o espasmo impaciente
Não valem um só beijo, mesmo quando mente!

Mas dizes-me, criança, em teu coração de ouro
A paixão mais selvagem toca o seu clarim!...
Deixa-a trombetear à vontade, a impostora!

Chega essa testa à minha, a mão também, assim,
E faz-me juramentos pra amanhã quebrares,
Chorando até ser dia, impetuosa amada!

Paul Verlaine, in "Melancolia"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Nevermore

Ah, lembrança, lembrança, que me queres? O Outono
Fazia voar os tordos plo ar desmaiado

E o sol dardejava um monótono raio
No bosque amarelado onde a nortada ecoa.

A sonhar caminhávamos os dois, a sós,
Ela e eu, pensamento e cabelos ao vento.
De repente, fitou-me em olhar comovente:
«Qual foi o teu mais belo dia?» disse a voz

De oiro vivo, sonora, em fresco timbre angélico.
Um sorriso discreto deu-lhe a minha réplica
E então, como um devoto, beijei-lhe a mão branca.

— Ah! as primeiras flores, como são perfumadas!
E como em nós ressoa o murmúrio vibrante
Desse primeiro sim dos lábios bem-amados!

Paul Verlaine, in "Melancolia"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Conversa Sentimental

No velho parque deserto e gelado
Duas formas passaram há bocado.

Com os olhos mortos e os lábios moles,
Mal se ouvem, a custo, as suas vozes.

No velho parque deserto e gelado
Dois espectros evocaram o passado.

— Recordas-te do nosso êxtase antigo?
— Por que razão acha que ainda consigo?

— Bate, ao ouvires meu nome, o coração?
Vês ainda a minha alma em sonhos? — Não.

— Ah! bons tempos de prazer indizível
Unindo as nossas bocas! — É possível.

— Como era azul, o céu, e grande a esperança!
— Mas é prò negro céu que hoje se lança.

Lá caminhavam plas aveias loucas
E só a noite ouviu as suas bocas.

Paul Verlaine, in "Festas Galantes"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

Biografia de Paul Verlaine

Paul Verlaine

Paul Marie Verlaine (30 de Março de 1844 – 8 de Janeiro de 1896) é considerado um dos maiores e mais populares poetas franceses.

Nascido em Metz, ele foi educado no Liceu Bonaparte (atual Liceu Condorcet), em Paris e depois começou a trabalhar como funcionário público. ele começou a escrever poesia cedo, e foi inicialmente influenciado pelo parnasianismo e seu líder, Charles Leconte de Lisle. A primeira obra publicada de Verlaine, Poèmes saturniens (1866), apesar da crítica negativa de Sainte-Beuve, o estabeleceu como um poeta de originalidade e futuro promissor.

 A vida particular de Verlaine invadiu seu trabalho, começando pelo seu amor por Mathilde Mauté. Mauté tornou-se sua esposa em 1870. Na proclamação da Terceira República no mesmo ano, Verlaine juntou-se ao 160º batalhão da Guarda nacional, e tornou-se Communard em 18 de março de 1871. Ele veio a ser chefe do escritório de imprensa do Comitê Central da Comuna de Paris. Verlaine escapou das mortais lutas de rua conhecidas como Semana Sangrenta, ou Semaine Sanglante, e foi esconder-se no Pas-de-Calais.

 Verlaine voltou a Paris em agosto de 1871 e, em setembro, recebeu a primeira carta do poeta Arthur Rimbaud. Em 1872, ele já havia perdido interesse em Mathilde, e logo abandonou-a com seu filho, preferindo a companhia de seu novo amigo. A tempestuosa relação de amizade de Rimbaud e Verlaine os levou a Londres, em 1872. Em julho de 1872 em uma crise de desespero Verlaine disparou dois tiros com uma pistola em Rimbaud, atingindo seu pulso, mas sem causar-lhe sérios danos. Como resultado indireto desse acidente, Verlaine foi preso e encarcerado em Mons, onde ele experimentou uma conversão à Igreja Católica, o que novamente influenciou suas obras e provocou críticas afiadas de Rimbaud. "Romances sans paroles" foi o resultado poético deste período. Depois de sair da prisão, Verlaine viajou novamente à Inglaterra, onde trabalhou por alguns anos como professor e produziu outra obra de sucesso, Sagesse. Ele voltou à França em 1877 e, enquanto ensinava Inglês em uma escola em Rethel, apaixonou-se por um de seus alunos, Lucien Létinois, que foi quem o inspirou a escrever seus próximos poemas. Verlaine ficou devastado quando o garoto morreu de tifo em 1883.

 Os últimos anos de Verlaine testemunharam dependência de drogas, alcoolismo e pobreza. Ele viveu em bairros pobres e hospitais públicos, e passava seus dias bebendo absinto em cafés parisienses. Por sorte, o amor à arte dos franceses foi capaz de dar-lhe apoio e alguma ajuda financeira: suas poesias antigas foram redescobertas, seu estilo de vida e estranho comportamento em frente a plateias atraíram admiração, e em 1894 ele foi eleito "Príncipe dos Poetas" da França. Sua poesia foi admirada e reconhecida como inovadora, servindo de fonte de inspiração para famosos compositores, como Gabriel Fauré, que transformou vários de seus poemas em música, incluindo La bonne chanson, e Claude Debussy, que tornou música cinco dos poemas de Fêtes galantes. Paul Verlaine morreu em Paris com 52 anos de idade, em 8 de janeiro de 1896, e foi enterrado no Cimetière des Batignolles.

Muito da poesia francesa produzida durante o fin de siècle (fim do século - movimento cultural francês que aconteceu entre 1880 e o começo da Primeira Guerra Mundial), que foi caracterizado como "decadente" por seu conteúdo chocante ou visão moral. Em uma veia parecida, Verlaine usou a expressão poète maudit ("poeta maldito") em 1884 para se referir a um número de poetas como Stéphane Mallarmé e Arthur Rimbaud que haviam lutado contra convenções poéticas e reprimendas sociais sofridas ou foram ignorados pelos críticos. Mas com a publicação do Manifesto Simbolista de Jean Moréas em 1886, foi o termo simbolismo que começou a ser mais aplicado ao novo ambiente literário. Juntamente com Verlaine, Mallarmé, Rimbaud, Paul Valéry, Albert Samain e muitos outros começaram a ser chamados de "Simbolistas". Esses poetas iriam, de vez em quando, compartilhar temas correspondentes às estéticas de Schopenhauer e noções de desejo, fatalidade e forças inconscientes, e temas de sexo (como prostitutas), a cidade, fenômenos irracionais (delírios, sonhos, narcóticos e álcool), e às vezes um vago contexto medieval. Na poesia, o procedimento simbolista era usar discretas sugestões ao invés de precisas declarações (a retórica foi banida) e invocar humores e sentimentos através da mágica de palavras e sons repetidos, da cadência do verso (musicalidade) e da inovação métrica.
 
No final do século 19, os críticos incluíram Verlaine entre os chamados "poetas malditos", como Arthur Rimbaud. A expressão, aliás, é do próprio Verlaine, eleito em 1894 o "Príncipe dos Poetas", ao final de uma vida desregrada por Paris, Rethel, Bruxelas e Londres.

Verlaine teve uma infância feliz em Ardennes no norte da França, apesar de ter um pai autoritário e uma mãe superprotetora. Em agosto de 1862, Verlaine completou os estudos secundários em Paris, onde seus pais se instalaram em 1851, e foi morar com a família materna no norte da França. Ali, entre a paisagem melancólica que correspondia a seu estado depressivo e os livros de Baudelaire, apaixonou-se pela prima Elisa Moncomble. O amor impossível o levou a beber em demasia.

De volta a Paris, ele se habituou à "fada verde", o absinto. Começou então a estudar direito. Empregou-se numa companhia de seguros e, em seguida, na Prefeitura. Mas nada lhe interessava e ele passou sete anos entediando-se nos cafés, onde escreveu versos e conheceu os parnasianos.

Em 1866, sua coletânea "Poemas Saturninos", editada graças a sua prima Elisa, fez com que ele fosse notado pela crítica. Em sua poesia de musicalidade lírica e singular, Verlaine expressava os arrebatamentos da alma, transpondo seus sentimentos em impressões, através de paisagens nostálgicas e refinadas.

Em 11 de agosto de 1870, o poeta se casou com Mathilde Mauté de Fleurville, que não tinha mais do que dezesseis anos, numa tentativa de acomodar-se a uma vida familiar, simples e tranqüila. Escreveu "A Boa Canção" inspirado na esposa. Mas em setembro de 1871, o jovem que o fascinava, Arthur Rimbaud lhe escreveu e dias mais tarde, chegou a Paris. Os dois se tornaram amantes. Em fevereiro de 1872, Mathilde pediu a separação. Para acalmar a esposa ultrajada, o poeta afastou Rimbaud. Mas o adolescente foi mais persuasivo e eles pegaram a estrada para Bruxelas. Depois seguiram para Londres.

De volta ao continente, Verlaine trabalhou em "Romances sem Palavras", enquanto Rimbaud publicou algumas páginas que revolucionam a literatura moderna: "Uma temporada no inferno". Depois de várias rupturas e reconciliações, em 1873, Verlaine deu um tiro de pistola em Rimbaud, em Bruxelas.

O poeta foi preso e condenado, passando dois anos na prisão. Em 1874 "Romances sem Palavras" foi lançado. Verlaine, em seu cárcere de Mons, compôs poemas místicos, marcas de arrependimento, que foram publicados posteriormente em "Sabedoria" (1881) e "Outrora e recentemente" (1884), mas também poemas eróticos, como em "Parallèlement" (1889).

Ao sair da prisão em 1875, Verlaine foi para a Inglaterra, onde deu aulas durante dois anos. Em 1880 fixou-se em uma fazenda perto de Rethel, com seu novo amante Lucien Létinois, um ex-aluno da instituição em que Verlaine ensinou durante dois anos e de onde eles foram expulsos por causa de sua "amizade particular". Mais uma vez o amor se rompeu e o poeta naufragou no álcool. No ano seguinte, Verlaine voltou a viver com sua mãe em Paris, onde morreu aos 52 anos.

Canção do Outono


Os soluços graves 
Dos violinos suaves 
Do outono 
Ferem a minh'alma 
Num langor de calma 
E sono. 

Sufocado, em ânsia, 
Ai! quando à distância 
Soa a hora, 
Meu peito magoado 
Relembra o passado 
E chora. 

Daqui, dali, pelo 
Vento em atropelo 
Seguido, 
Vou de porta em porta, 
Como a folha morta 
Batido... 

Paul Verlaine - Tradução: Alphonsus de Guimaraens