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| Alfred de Musset |
Alfred Louis Charles de
Musset (Paris, 11 de Dezembro de 1810 — Paris, 2 de Maio
de 1857)
foi um poeta,
novelista
e dramaturgo
francês do século XIX, um dos expoentes mais conhecidos do
período literário conhecido como o Romantismo.
Diz-se que ele foi "o mais clássico dos românticos e o mais romântico
dos clássicos". O seu estilo influenciou profundamente a literatura
europeia, tendo surgido múltiplos seguidores, entre os quais se conta o poeta
português Fausto Guedes Teixeira, o expoente máximo
do neo-romantismo
na poesia lusófona.
Biografia
Alfred de Musset nasceu em Paris, filho de Victor-Donatien de
Musset-Pathay e de sua mulher Edmée Guyot-Desherbiers, uma
família culta e equilibrada, desde há longa data ligada às letras. O seu avô
fora poeta e o seu pai, também escritor de mérito, mantinha uma relação
estreita com Jean-Jacques Rousseau, cujas obras editava. Por esta
via, Rousseau exerceu uma grande influência sobre o jovem poeta, em cuja obra
recebe diversas homenagens, enquanto atacava violentamente Voltaire, o grande
adversário de Rousseau.
Matriculou-se no Lycée Henri-IV com 9
anos de idade. Em 1827 ganhou o segundo lugar no prémio
de escrita em latim do Concours général com o
ensaio A origem de nossos sentimentos, revelando assim o seu talento
literário. Ainda hoje um busto assinala naquele liceu a passagem de Musset como
aluno distinto.
Depois de tentar iniciar uma carreira em Medicina, que
abandonou devido à sua repugnância pelas dissecções, tentou Direito, desenho, ensino
da língua inglesa, piano e saxofone. Foi então que, com a ajuda de Paul
Foucher, um cunhado de Victor Hugo, começou
a frequentar, com apenas 17 anos de idade, o Cénacle, o salão literário de Charles Nodier na Bibliothèque de l'Arsenal,
descobrindo a sua vocação para a literatura e decidindo seguir carreira
literária.
No Cénacle simpatiza com Charles Augustin Sainte-Beuve e Alfred de Vigny, mas
recusa-se a adular o «mestre» Victor Hugo. Mais
tarde ridicularizou os passeio nocturnos dos membros do Cénacle pelas torres da
catedral de Notre-Dame e outras actividades do grupo.
Publicou em 1829 o seu primeiro livro, intitulado
Contos de Espanha e da Itália, que despertou ao mesmo tempo admiração e
protesto, por conter paródias em verso a algumas das mais reverenciadas obras
românticas da época.
Sendo o mais novo integrante da nova escola literária francesa,
ombreando com grandes nomes, como Alfred de Vigny, Prosper Mérimée, Charles Augustin Sainte-Beuve, entre
outros, quando tinha 20 anos a sua fama literária era já grande, colocando-o
entre os melhores cultores do Romantismo, mas
também já o ligando a hábitos de dandy e a uma
vida amorosa desregrada e boémia.
Musset tentou então a sua sorte no teatro, tentando produzir obras
dramáticas que lhe permitissem ganhar a vida. Em Dezembro de 1832 aparece o seu primeiro Spectacle
dans un fauteuil, que se compunha de um drama, La Coupe et les Lèvres,
uma comédia, À quoi rêvent les jeunes filles?, e um conto oriental, Namouna.
Musset exprime já nesta recolha a dolorosa tensão entre deboche e pureza de
costumes que dominará muita da sua obra.
Contudo, após o fracasso da sua obra Nuit Vénitienne, escreveria,
numa carta a P. Calais «adieu à la ménagerie, et pour longtemps» (adeus
à ribalta, e por muito tempo), num afastamento que duraria até 1847, ano em que, já alcoólico,
retorna às lides teatrais com outra serenidade.
Em 1832 parte
para Itália na companhia de George Sand, com
quem mantinha um escandaloso relacionamento amoroso. Esta viagem inspirou-lhe a
obra Lorenzaccio, um
drama romântico escrito em 1834. Publica então os Contes d'Espagne et
d'Italie.
Durante esta viagem Musset adoece e George Sand torna-se
na amante do seu médico, Pietro Pagello. Regressa então a Paris, onde faz
representar as comédias Le Chandelier, On ne badine pas avec l'Amour
e Il ne faut jurer de rien, que se mantêm no repertório do Théâtre-Français. Escreve também novelas em prosa
e a Confession d'un enfant du siècle, autobiografia anónima dedicada a
George Sand, onde ele descreve os sofrimentos que ela lhe teria infligido com a
sua infidelidade.
Entre 1835 e 1837, Musset compõe a sua principal
obra lírica, intitulada Les Nuits (Nuits de mai, d'août, d'octobre,
de décembre), em torno de temáticas relacionadas com o sofrimento amoroso,
o amor e a inspiração. Estas poesias, muitos sentimentais, são hoje
consideradas como as obras mais representativas do romantismo francês.
Foi entretanto nomeado bibliotecário do Ministério do Interior durante a
Monarquia de Julho, envolvendo-se durante esse
período numa polémica relacionada com as pretensões francesa nas margens do Reno, agudizadas durante a Crise Franco-Alemão de 1840. A
polémica iniciou-se quando o primeiro-ministro francês Adolphe Thiers, que
enquanto Ministro do Interior tinha chefiado Musset, exigiu que o território
francês se prolongasse até à margem esquerda do Reno, então assumida como a
"fronteira natural" da França a leste. Essa pretensão, apesar da
população da região ser de língua alemã, baseava-se no domínio sobre a zona
exercido durante o consulado de Napoleão Bonaparte, mas era fortemente rejeitada
pelos alemães.
Surgiram então canções e poemas rejeitando a pretensão francesa, entre
os quais um poema heróico de Nikolaus Becker
intitulado Rheinlied (Canção do Reno), que continha o verso: "Sie
sollen ihn nicht haben, den freien, deutschen Rhein …" (Jamais o
terão, o livre Reno alemão). Musset respondeu a este poema com o seu: "Nous
l'avons eu, votre Rhin allemand" (Já o tivemos, o vosso Reno alemão).
Musset foi exonerado do seu lugar de bibliotecário na sequência da Revolução de 1848, mas foi depois nomeado
bibliotecário do Ministério da Instrução Pública durante o Segundo Império.
Musset recebeu a Légion d'honneur em 24 de Abril de 1845, ao mesmo tempo que Honoré de Balzac, e foi eleito para a Académie française em 1852, depois de duas tentativas
frustradas em 1848 e 1850.
De saúde frágil devido a uma malformação cardíaca congénita, estava
frequentemente adoentado, situação que se foi agravando devido ao alcoolismo e a um
estilo de vida desregrado. A sua malformação cardíaca provocava abalos
cervicais concomitantes com a sua pulsação, fenómeno comum em situações como a
insuficiencia aórtica. Como Musset tinha essa condição, ela ficou consagrado
pela medicina francesa, e hoje por todo mundo, como Sinal de Musset.
Faleceu em Paris a 2 de Maio de 1857, quase esquecido. A influência
do seu irmão mais velho, Paul de Musset, levou a
que fosse sepultado no cemitério de Père Lachaise, em
Paris, onde hoje uma artística obra funerária o relembra. Foi também Paul de Musset quem
exerceu um importante papel na redescoberta da obra de Musset, redigindo a sua
biografia e reeditando muitas das suas obras.
A polémica e os comentários despertados pela sua célebre relação amorosa
entre Musset e George Sand, que
durou entre 1833 e 1835, levou a que escrevesse a novela autobiográfica La Confession
d'un Enfant du Siècle, a que ela ripostou com Elle et lui,
recontando a história do seu ponto de vista. Esta obra de Sand, publicada em 1859, não foi bem recebida pelos
admiradores de Musset, em particular por Paul de Musset, o irmão
do visado, que a parodiou seis meses mais tarde com a obra Lui et Elle.
Sobre esta relação têm sido publicadas diversas obras, entre as quais Les
Amants de Venise, George Sand et Musset de Charles Maurras (1902), que leva a cabo um aturado
estudo do envolvimento amoroso e do relacionamento intelectual entre eles.
Alfred Louis Charles de Musset nasceu
em Paris no dia 11 de Dezembro de 1810. Filho de Victor-Donatien de
Musset-Pathay e de Edmée Guyot-Desherbiers, aos nove anos de idade, foi
matriculado no Lycée Henri-IV. Já manifestava nestes primeiros anos acadêmicos
seu talento em relação às letras; certamente herdado de sua família, na qual
seu pai e avô eram escritores bem conceituados. Sendo que seu pai mantinha um
estreito laço de amizade com Jean-Jacques Rousseau. Deste modo, não é exagero
afirmar que Rousseau influiu fortemente na fundamentação da obra de Musset.
Aos dezessete anos, com a obra A
origem de nossos sentimentos, conquistou a segunda colocação em um
concurso de escrita em latim. Em seguida optou por cursar medicina. Entretanto,
por não se identificar com a profissão, decidiu abandonar o estudo. Em segudia,
ainda envolveu-se com Direito, desenho, ensino da língua inglesa, piano e
saxofone. Paralelamente, orientado por Paul Focher, passou a freqüentar o
Cénacle, o salão literário da Bibliothèque de l'Arsenal. Foi neste momento que
o jovem Musset percebeu sua vocação literária.
Com apenas dezenove anos de idade, em
1829, publicou seu primeiro livro: Contes d'Espagne et d'Italie, no
qual encontrava-se paródias de algumas obras românticas. Este trabalho elevou o
nome de Musset entre os intelectuais do Cénacle, despertando admiração por sua
ousadia e repúdio por parodiar obras consagradas.
Em 1830, Musset estreou no teatro a
comédia La Nuit vénitienne, na qual tentou combinar tendências
clássicas e românticas. Esta primeira investida teatral não foi bem sucedida e
sentiu-se desencorajado a continuar escrevendo peças. Entretanto, apenas três
anos mais tarde, retorna ao teatro com La Coupe et les Lèvres (drama),
À quoi rêvent les jeunes filles? (comédia) e o conto Namouna.
Em 1832, Musset, na ocasião da publicação da obra Indiana, conhece a
escritora George Sand (pseudônimo da baronesa Amandine Lucie Aurore Dupin),
doze anos mais velha. Musset e Sand iniciam um romance e partem para a Itália.
Durante esta viagem Musset escreve Lorenzaccio. O casal passa dois
anos na Itália quando Musset adoece e George envolve-se com o médico que
cuidava do escritor. O fato foi determinante para o fim da relação. Após
restabelecer-se, o escritor regressa a Paris. As peças Le Chandelier, On
ne badine pas avec l'Amour e Il ne faut jurer de rien mantêm-se
em cartaz. Paralelamente, escreve algumas novelas em prosa e a conhecida Confession
d'un enfant du siècle (Confissão de um filho do século - que
registra pela primeira vez o uso da expressão "Mal do século" como o
estado de desencanto e vaga melancolia). Esta obra é uma autobiografia
consagrada à ex-amante, na qual Musset manifesta suas lamúrias devido à
infidelidade da companheira. Esta relação também inspirou a peça On ne
badine pas avec l'amour, de 1834.
Entre os anos de 1835 e 1837, Musset
escreve Les Nuits (Nuits de mai, d'août, d'octobre, de décembre)
que se tornaria referência do gênero romântico da França e que aborda o
sofrimento amoroso, amor e inspiração, na qual o escritor dialoga com sua musa.
Ainda, Lettre à Lamartine, de 1836, na qual afirma ser o amor a fonte
principal da arte. Dessa fase também surgiram Les Caprices de Marianne
e Un caprice. A partir de 1837 sua saúde já não apresenta o mesmo
vigor da juventude.
Ainda, foi nomeado bibliotecário do
Ministério do Interior; entretanto, perdeu seu cargo após a Revolução de 1848,
sendo, em seguida, convidado a atuar no Ministério da Instrução Pública.
Em 24 de Abril de 1845, Musset e
Balzac receberam a Légion d'honneur. Musset, em 1848 e 1850, logrou ingressar
na Académie Française, obtendo sucesso apenas em 1852. Neste momento, devido a
uma má formação cardíaca congênita, o escritor encontrava-se constantemente
adoentado. Sua situação agravou-se devido ao alcoolismo e a um estilo de vida
totalmente desregrado.
Finalmente, faleceu Alfred Louis
Charles de Musset, em Paris, no dia 2 de maio de 1857. Sobre o desejo de seu
irmão, Paul de Musset, o escritor foi sepultado no cemitério Père Lachaise onde
agora há uma escultura em sua homenagem. Paul de Musset também foi responsável
pela composição biográfica póstuma e reedição de várias obras de Musset.
Em 1859, George Sand publicou Elle
et lui, uma novela autobiográfica em resposta à Confession d'un enfant
du siècle de Musset. A relação amorosa ainda rendeu, em 1902, uma espécie
de estudo entre a relação afetiva e intelectual entre Sand e Musset, através do
Les Amants de Venise - George Sand et Musset, de Charles Maurras.
Alfred de Musset encarnou a figura do
poeta boêmio e romântico do século XIX. Sua obra, fortemente influenciada por
Vitor Hugo, solidificou os conceitos do romantismo na França e ecoou no Brasil
através de Álvares de Azevedo.

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