A Musa, que inspira
meus tímidos cantos,
É doce e risonha, se
amor lhe sorri;
É grave e saudosa, se
brotam-lhe os prantos.
Saudades carpindo, que
sinto por ti.
A Musa, que inspira-me
os versos nascidos
De mágoas que sinto no
peito a pungir,
Sufoca-me os tristes e
longos gemidos,
Que as dores que
oculto me fazem trair.
A Musa, que inspira-me
os cantos de prece,
Que nascem-me d’alma,
que envio ao Senhor.
Desperta-me a crença,
que às vezes ‘dormece
Ao último arranco de
esp’ranças de amor.
A Musa, que o ramo das
glórias enlaça,
Da terra gigante — meu
berço infantil,
De afetos um nome na
idéia me traça,
Que o eco no peito
repete: — Brasil!
A Musa, que inspira
meus cantos é livre,
Detesta os preceitos
da vil opressão,
O ardor, a coragem do
herói lá do Tibre,
Na lira engrandece,
dizendo: — Catão!
O aroma de esp’rança,
que n’alma recende,
É ela que aspira, no
cálix da flor;
É ela que o estro na
fronte me acende,
A Musa que inspira
meus versos de amor!
Machado de Assis - RJ, 22 fev. 1856
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