AO SR. DR. M. A.
D'ALMEIDA
Vejo em fúnebre
cipreste
Transformada a ovante
palma!
PORTO ALEGRE.
Morrer, de vida
transbordando ainda,
Como uma flor que
ardente calma abrasa!
Águia sublime das
canções eternas:
Quem no teu vôo
espedaçou-te a asa?
Quem nessa fronte que
animava o gênio,
A rosa desfolhou da
vida tua?
Onde o teu vulto
gigantesco? Apenas
Resta uma ossada
solitária e nua!
E contudo essa vida
era abundante!
E as esperanças e
ilusões tão belas!
E no porvir te
preparava a pátria
Da glória as palmas e
gentis capelas!
Sim, um sol de fecunda
inteligência
Sobre essa fronte
pálida brilhava,
Que à face deste
século de indústria
Tantos raios ardentes
derramava!
E pôde a morte
destruir-te a vida!
E dar à tumba a tua
fronte ardente!
Pobre moço! saudaste a
estrela d’alva,
E o sol não viste a
refulgir no Oriente!
Morrer, de vida
transbordando ainda,
Como uma flor que
ardente calma abrasa!
Águia sublime das
canções eternas:
Quem no teu vôo
espedaçou-te a asa?
Voltaste à terra só —
Não morrem Byrons,
Nem finda o homem na
friez da campa!
Homem, tua alma aos
pés de Deus fulgura,
Teu nome, poeta, no
porvir se estampa!
Não morreste! estalou
a fibra apenas
Que a alma à vida de
ilusões prendia!
Acordaste de um negro
pesadelo,
E saudaste o sol do
eterno dia!
Mas cá fica no altar
do pensamento
Teu nome como um ídolo
pomposo,
Que a fama com o
turíbulo dos tempos
Perfuma de um incenso
vaporoso!
E ao ramalhete das
brasílias glórias,
Mais uma flor angélica
se enlaça,
Que a brisa ardente do
porvir passando
Trêmula beija e a
murmurar abraça!
Byron da nossa terra,
dorme embora
Envolto no teu fúnebre
sudário,
Murmure embora o vento
dos sepulcros
Junto do teu sombrio
santuário.
Resta-te a c’roa santa
de poeta,
E a mirra ardente da
oração saudosa,
E pelas noites calmas
do silêncio
Os séculos da lua
vaporosa!
Ela te chora, e ali
com ela a pátria,
Pobre órfã de teus
cânticos divinos,
E das brisas na voz
misteriosa,
Da saudade e da dor
sagram-te os hinos!
Dorme junto de
Chatterton, de Byron,
Frontes sublimes, pra
sonhar criadas,
Almas puras de amor e
sentimento,
Harpas santas, por
anjos afinadas!
Dorme na tua fria
sepultura
Guarda essa fronte
vaporosa, ardente,
Tu, que apenas
saudaste a estrela-d'alva
E o sol não viste a
refulgir no Oriente!
Nenhum comentário:
Postar um comentário