Ela tinha
no rosto uma expressão tão calma
Como o
sono inocente e primeiro de uma alma
Donde não
se afastou ainda o olhar de Deus;
Uma
serena graça, uma graça dos céus,
Era-lhe o
casto, o brando, o delicado andar,
E nas
asas da brisa iam-lhe a ondear
Sobre o
gracioso colo as delicadas tranças.
Levava
pelas mãos duas gentis crianças.
Ia
caminho. A um lado ouve magoado pranto.
Parou. E
na ansiedade ainda o mesmo encanto
Descia-lhe
às feições. Procurou. Na calçada
À chuva,
ao ar, ao sol, despida, abandonada
A
infância lacrimosa, a infância desvalida,
Pedia
leito e pão, amparo, amor, guarida.
E tu, ó
caridade, ó virgem do Senhor,
No amoroso
seio as crianças tomaste,
E entre
beijos — só teus — o pranto lhes secaste
Dando-lhes
pão, guarida, amparo, leito e amor.
1861
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