A LEITURA ENGRANDECE A ALMA

"A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede." (Carlos Drummond de Andrade)

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Soneto 2

Quando tiveres completado teus quarenta anos
E cavado sulcos profundos onde agora és bela,
Essa tua juventude tão orgulhosa, que agora todos fitam maravilhados,
Será somente um resto pisoteado, a que ninguém mais se virará para ver;

Então, indagada sobre que beleza era aquela,
Que tesouro aquele de teus dias encantadores,
Dizer que se encontram afundados nos teus olhos já opacos,
Isso seria ridículo e um elogio que ninguém entenderia.

Poderias receber mais elogios
Caso pudesses dizer: " - Esse meu filho
Resume toda minha reputação, e com isso me desculpa" –
Provando com sua beleza tua herança!

Isso seria te sentires renovada quando ficares velha,
E ver teu sangue quente, ao senti-lo já gelado.

Soneto Original

When forty winters shall besiege thy brow,
And dig deep trenches in thy beauty's field,
Thy youth's proud livery so gazed on now,
Will be a totter'd weed of small worth held:


Then being asked, where all thy beauty lies,
Where all the treasure of thy lusty days;
To say, within thine own deep sunken eyes,
Were an all-eating shame, and thriftless praise.

How much more praise deserv'd thy beauty's use,
If thou couldst answer 'This fair child of mine
Shall sum my count, and make my old excuse,'
Proving his beauty by succession thine!

This were to be new made when thou art old,
And see thy blood warm when thou feel'st it cold.

William Shakespeare

***A crítica o considera um dos sonetos shakespearianos sobre a procriação e a observação da destruição do tempo e da beleza, incitando o destinatário do poema, um(a) jovem, a ter um filho.

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