Se eu fora poeta de um estro
abrasado
Quisera teu lindo semblante
cantar;
Gemer eu quisera bem junto a teu
lado,
Se eu fora uma onda serena do mar;
Se eu fora uma rosa de prado
relvoso,
Quisera essa coma, meu anjo,
adornar;
Se eu fora um anjinho de rosto
formoso
Contigo quisera no espaço voar;
Se eu fora um astro no céu
engastado
Meu brilho, quisera p’ra ti só
brilhar;
Se eu fora um favônio de aromas
pejado
Por sobre teu corpo me iria
espraiar;
Se eu fora das selvas um’ave
ligeira
Meus cantos quisera p’ra ti só
trinar;
Se eu fora um eco de nota fagueira
Fizera teu canto no céu ressoar;
Mas eu não sou astro, poeta, ou
anjinho,
Nem eco, favônio, nem onda do mar;
Nem rosa do prado, ou ave ligeira;
Sou triste que a vida consiste em
te amar.
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