Um anjo desejei ter a meu lado...
E o anjo que sonhei achei-o em
ti!...
C. A. DE SÁ
És um anjo d’amor — um livro
d’ouro,
Onde leio o meu fado
És estrela brilhante do horizonte
Do Bardo enamorado
Foste tu que me deste a doce lira
Onde amores descanto
Foste tu que inspiraste ao pobre
vate
D’amor festivo canto;
É sempre nos teus cantos sonorosos
Que eu bebo inspiração;
Risos, gostos, delícias e venturas
Me dá teu coração.
teu nome que trago na lembrança
Quando estou solitário,
Teu nome a oração que o peito reza
D'amor um santuário!
E tu que és minha estrela, tu que
brilhas
Com mágico esplendor,
Escuta os meigos cantos de
minh’alma
Meu anjo, meu amor.
Quando sozinho, na floresta amena
Tristes sonhos modulava,
Não em lira d'amor — na rude
frauta
Que a vida me afagava,
Tive um sonho d'amor; sonhei que
um anjo
Estava ao lado meu,
Que com ternos afagos, com mil
beijos
Me transportava ao céu.
Esse anjo d'amor descido acaso
De lá do paraíso,
Tinha nos lábios divinais,
purpúreos
Amoroso sorriso;
Era um sorriso que infundia n'alma
O mais ardente amor;
Era o reflexo do formoso brilho
Da fronte do Senhor.
É anjo sonhado, cara amiga,
A quem consagro a lira,
És tu por quem minh'alma sempre
triste
Amorosa suspira!
Quando contigo, caro bem, d'aurora
O nascimento vejo
Em um berço florido, e de ventura
Gozarmos terno ensejo;
Quando entre mantos d'azuladas
cores
A meiga lua nasce
E num lago de prata refletindo
Contempla a sua face;
Quando num campo verdejante e
ameno
Dum aspecto risonho
Ao lado teu passeio; eu me recordo
Do meu tão belo sonho
E lembra-me esse dia venturoso
Em que a vida prezei
Que vi teus meigos lábios me
sorrirem,
Que logo te adorei!
Nesse dia sorriu a natureza
Com mágico esplendor
Parecia augurar ditoso termo
Ao nosso puro amor.
E te juro, anjo meu, ditosa amiga,
Por tudo que há sagrado,
Que esse dia trarei junto ao teu
nome
No meu peito gravado.
E tu que és minha estrela, tu que
brilhas
Com mágico esplendor,
Escuta os meigos cantos de
minh'alma,
Meu anjo, meu amor!
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