A LEITURA ENGRANDECE A ALMA

"A leitura é uma fonte inesgotável de prazer mas por incrível que pareça, a quase totalidade, não sente esta sede." (Carlos Drummond de Andrade)

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

MEU ANJO

Um anjo desejei ter a meu lado...
E o anjo que sonhei achei-o em ti!...

C. A. DE SÁ

És um anjo d’amor — um livro d’ouro,
       Onde leio o meu fado
És estrela brilhante do horizonte
       Do Bardo enamorado
Foste tu que me deste a doce lira
       Onde amores descanto
Foste tu que inspiraste ao pobre vate
       D’amor festivo canto;
É sempre nos teus cantos sonorosos
       Que eu bebo inspiração;
Risos, gostos, delícias e venturas
       Me dá teu coração.
teu nome que trago na lembrança
       Quando estou solitário,
Teu nome a oração que o peito reza
       D'amor um santuário!
E tu que és minha estrela, tu que brilhas
       Com mágico esplendor,
Escuta os meigos cantos de minh’alma
       Meu anjo, meu amor.

Quando sozinho, na floresta amena
       Tristes sonhos modulava,
Não em lira d'amor — na rude frauta
       Que a vida me afagava,
Tive um sonho d'amor; sonhei que um anjo
       Estava ao lado meu,
Que com ternos afagos, com mil beijos
       Me transportava ao céu.
Esse anjo d'amor descido acaso
       De lá do paraíso,
Tinha nos lábios divinais, purpúreos
       Amoroso sorriso;
Era um sorriso que infundia n'alma
       O mais ardente amor;
Era o reflexo do formoso brilho
       Da fronte do Senhor.
É anjo sonhado, cara amiga,
       A quem consagro a lira,
És tu por quem minh'alma sempre triste
       Amorosa suspira!

Quando contigo, caro bem, d'aurora
       O nascimento vejo
Em um berço florido, e de ventura
       Gozarmos terno ensejo;
Quando entre mantos d'azuladas cores
       A meiga lua nasce
E num lago de prata refletindo
       Contempla a sua face;
Quando num campo verdejante e ameno
       Dum aspecto risonho
Ao lado teu passeio; eu me recordo
       Do meu tão belo sonho
E lembra-me esse dia venturoso
       Em que a vida prezei
Que vi teus meigos lábios me sorrirem,
       Que logo te adorei!

Nesse dia sorriu a natureza
       Com mágico esplendor
Parecia augurar ditoso termo
       Ao nosso puro amor.
E te juro, anjo meu, ditosa amiga,
       Por tudo que há sagrado,
Que esse dia trarei junto ao teu nome
       No meu peito gravado.
E tu que és minha estrela, tu que brilhas
       Com mágico esplendor,
Escuta os meigos cantos de minh'alma,
       Meu anjo, meu amor!

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