A vez
primeira que te ouvi dos lábios
Uma singela
e doce confissão,
E que
travadas nossas mãos, eu pude
Ouvir bater
teu casto coração,
Menos senti do que
senti na hora
Em que, humilde —
curvado ao teu poder,
Minha ventura e minha
desventura
Pude, senhora, nos
teus olhos ler.
Então, como por
vínculo secreto,
Tanto no teu amor me
confundi,
Que um sono puro me
tomou da vida
E ao teu olhar, senhora,
adormeci.
É que os olhos, melhor
que os lábios, falam
Verbo sem som, à alma
que é de luz
— Ante a fraqueza da
palavra humana —
O que há de mais
divino o olhar traduz.
Por ti, nessa união
íntima e santa,
Como a um toque de
graça do Senhor,
Ergui minh'alma que
dormiu nas trevas,
E me sagrei na luz do
teu amor.
Quando a tua voz
puríssima — dos lábios,
De teus lábios já
trêmulos correu,
Foi alcançar-me o
espírito encantado
Que abrindo as asas
demandara o céu.
De tanta embriaguez,
de tanto sonho
Que nos resta? Que
vida nos ficou?
Uma triste e vivíssima
saudade...
Essa ao menos o tempo
a não levou.
Mas, se é certo que a
baça mão da morte
A outra vida melhor
nos levará,
Em Deus, minh'alma
adormeceu contigo,
Em Deus, contigo um
dia acordará.
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