1906
Querida, ao pé do
leito derradeiro
Em que descansas dessa
longa vida,
Aqui venho e virei,
pobre querida,
Trazer-te o coração do
companheiro.
Pulsa-lhe aquele afeto
verdadeiro
Que, a despeito de
toda a humana lida,
Fez a nossa existência
apetecida
E num recanto pôs um
mundo inteiro.
Trago-te flores, —
restos arrancados
Da terra que nos viu
passar unidos
E ora mortos nos deixa
e separados.
Que eu, se tenho nos
olhos malferidos
Pensamentos de vida
formulados,
São pensamentos idos e
vividos.
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